sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Atos de Fala

A Pragmática,tal como a conhecemos hoje, tem início quando Austin começa a desenvolver suas teorias dos atos de fala.
A Linguística concebia que as afirmações serviam apenas para descrever um estado de coisas, podendo assim, serem verdadeiras ou falsas. Austin mostra à Linguística que isto é uma ilusão e distingui dois tipos de afirmações: as que descrevem e as que não descrevem as coisas no mundo. As que descrevem ele chama de constativas e as que não descrevem, e sim, executam uma ação, são chamadas performativas.
É preciso observar que, para que uma afirmação performativa seja de fato realizada, é preciso que não somente ele seja enunciado, mas também, que as circunstâncias de enunciação sejam adequadas.
Um performativo enunciado em condições inadequadas não é falso, mas nulo, não se realiza. Assim, por exemplo, para que um casamento se realize é necessário que se use a "fórmula", ou seja, deve ser realizado em uma igreja (ou o que a equivalha), sendo o enunciador um padre, emitindo a enunciação certa (“eu vos declaro marido e mulher!”), ao ouvinte certo – o noivo e/ou a noiva 
 para que esse performativo seja efetivamente realizado.
Os Atos de Fala se dividem da seguinte maneira:
1) Ato Locucionário: corresponde ao ato de pronunciar um enunciado;
2) Ato Ilocucionário: corresponde ao ato que o locutor realiza quando pronuncia um enunciado em certas condições comunicativas e com certas intenções (intencionalidade), tais como ordenar, avisar, criticar, perguntar, convidar, ameaçar, etc. Assim, num ato ilocucionário, a intenção comunicativa de execução vem associada ao significado de determinado enunciado;
3) Ato Perlocucionário: corresponde aos efeitos que um dado ato ilocucionário produz no ouvinte. Verbos para convencer, persuadir ou assustar ocorrem neste tipo de atos de fala, pois informam-nos do efeito causado.

Assista no vídeo abaixo um exemplo de um ato performativo, no caso, uma cerimônia de casamento.




domingo, 27 de outubro de 2013

Pronomes de tratamento

São considerados pronomes de tratamento locução ou palavra usada no lugar de um pronome pessoal, por exemplo: Vossa Excelencia; o senhor; a senhora; Sua Alteza; (Minidicionário Houaiss da língua portuguesa). Indicam a pessoa com quem se fala (2ª pessoa), em um tratamento cerimonioso ou familiar (informal). Observe-se, porém, que exigem a concordância com a 3ª pessoa.

Pronome de TratamentoAbreviatura no SingularAbreviatura no PluralUsos
VocêV.VV.Tratamento informal. 
Senhor, SenhoraSr., Sr.ªSrs., Srª.sTratamento respeitoso com conhecidos.
Vossa SenhoriaV. S.ªV. Sª.sAutoridades em geral, como chefes, vereadores, secretários, oficiais e na linguagem comercial.
Vossa ExcelênciaV. Ex.ªV. Ex.ªsAutoridades mais altas, como Presidente da República, Ministros de Estado, etc.
Vossa EminênciaV. Em.ªV. Em.ªsCardeais
Vossa AltezaV. A.V V. A A.Príncipes e Princesas, Duques
Vossa SantidadeV.S.            -Papa
Vossa ReverendíssimaV. Rev.mªV. Rev.mªsBispos e Sacerdotes
Vossa MajestadeV. M.V V. M M.Reis e Rainhas.

Os primeiros pronomes utilizados eram originalmente o "tu" e o "vós", um para informalidades e o outro para assuntos formais. A necessidade de outras formas de tratamento que indicassem a posição econômica, política e religiosa com quem se tratava surgiu e com ela novas formas de tratamento.

A principio o "Vossa Mercê" era utilizado de forma generalizada indicando subordinação do falante em relação a pessoa com quem iria falar. Esse "Vossa Mercê" com o passar do tempo mudou para "vosmecê" e depois para o já conhecido "você", com algumas variações atuais de "ocê" e "cê".

Outras formas foram alteradas com o passar do tempo, é o caso do "digníssimo" e do "ilustríssimo" para cargos públicos, visto que a dignidade é tida como pressuposto para qualquer pessoa que ocupe tal função. Eles são atualmente substituídos por "Vossa Senhoria", que tem como vocativo "Senhor".

A forma de tratamento "Vossa Magnificência" também não é utilizada atualmente, recomendava-se o uso ao tratar os reitores de universidades que hoje pode ser trocada por Vossa Excelência ou simplesmente Senhor Reitor, Excelentíssimo Senhor Reitor.

Há  também o uso equivocado de formas de tratamento, como o caso de "Doutor" que, na realidade não é tido como pronome de tratamento e sim, título acadêmico, portanto deve ser usado somente em condições dirigidas a pessoas que tenham tal grau de formação acadêmica, isto é,quem defendeu uma tese em doutorado.

Nos demais pronomes as únicas regras a seguir são tidas quanto ao uso do Vossa e do Sua, sendo o Vossa usado ao se dirigir respeitosamente a uma autoridade e o Sua quando se refere àquela autoridade. No caso do vocativo dispensa-se o pronome possessivo (Vossa, Sua).



Referências
Houaiss, Antônio  e Villar, Mauro de Salles - Minidicionário Houaiss da língua portuguesa; elaborado no instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda - 3ª ed. rev. e aum. - Rio de Janeiro; Objetiva, 2009
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm - acesso em 24/10/2013
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/pronomes-de-tratamento-voce-senhor-vossa-excelencia-e-outros.htm - acesso e 24/10/2013
http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php - acesso em 24/10/2013